Quase duas semanas sem atualizar isso aqui… Peço desculpas a vocês que lêem esse blog. É, vocês dois aí no canto.
Hoje finalmente tive um tempinho ocioso na internet, e ele serviu para ver opiniões sobre um monte de coisas relacionadas a games. Isso é legal, pois as vezes a gente que trabalha com isso fica muito concentrado apenas nas notícias.
Enfim, lá estava eu visitando o IGN (pra mim, o melhor site que existe e ponto), e na parte do Wii tinha um link com a imagem da Master Sword. É claro que isso me obrigou a clicar. Direcionava para o blog de um dos caras que mais admiro no jornalismo de games: Matt Casamassina, o homem-Nintendo do IGN há mais de 10 anos. Não vou perder tempo dizendo os furos mundiais que ele já conseguiu, mas vou resumir dizendo que ele escreve bem pra caralho. Ele é foda.
Indo ao que interessa, o penúltimo post do cara tinha o título de “48 horas com link”. Lá ele diz algo que me deixou de boca aberta, mas não muito supreso: até o fim da semana que vem, ou seja, duas semanas antes do lançamento do Wii, ele já estará com Zelda: Twilight Princess, e ficará 48 horas “ao lado” de Link apreciando tudo de bom que o jogo tem. Embora não tenha ficado tão claro se as 48 horas serão realmente com ele jogando o Wii nos escritórios do site, ou se será uma sessão de dois dias de testes intensos na sede na Nintendo of America (como você pode ver no “bilhete” que ele recebeu), isso me fez chegar a uma conclusão: os jornalistas de games brasileiros são muito melhores que os americanos.
Isso na verdade foi o golpe final, pois há muito tempo já vejo notícias desse tipo. No início da semana, por exemplo, IGN e GameSpot publicaram matérias sobre as versões quase finais do PlayStation 3 que fizeram uma visita a suas redações. Hands-on exclusivos são a coisa mais normal, e geralmente começam com: “ontem pela manhã, o acessor de imprensa da empresa tal chegou à nossa porta com a primeira versão jogável do mais que aguardado jogo X”. É com base nisso que fiz a afirmação do final do parágrafo anterior.
Não que os caras não saibam escrever ou algo assim; Matt, Peer, Shoe, e um monte de outros caras são sensacionais no que fazem. Mas eles têm tudo na mão. Os famosos PRs (Public Relations eu acho), ligam para a redação da revista/site e diz “E aí, cara, a empresa está querendo divulgar coisas novas sobre esse jogo aqui. Tá interessado em uma exclusiva?” Prático assim. O esforço principal é tentar manter uma boa relação com todas as produtores para não queimar seu filme, e a luta de verdade é apenas para conseguir algum furo mundial, que algum funcionário boca aberta acaba cagüetando.
Já aqui os ventos são MUITO diferentes. O povo sofre, amigo. Recentemente, o amigo Fabão foi para nova York, à convite da Rockstar, para testar em primeira mão o muito foda Bully. Agora lembre quando foi a última vez que isso aconteceu? Pois é. A gente aqui tem que batalhar muito mais para conseguir a metade (ou menos que isso) que os gringos possuem sem fazer esforço. Se você quer uma entrevista com o produtor de um game na sua próxima edição, deve enviá-la 1 mês antes, e ainda correr o risco das respostas serem um monte de “sem comentários”.
Talvez falte mais cara-de-pau para nós aqui do Brasil conseguirmos mais espaço lá fora. mas creio que não é o caso. O pessoal que construiu essa imprensa aqui, até agora, fez tudo o que era possível. O que falta mesmo é o Brasil ser alguém no mundo. E não necessariamente no dos games. Fazer os outros verem que aqui não é só mato, e enxergar a si mesmo como um lugar com um potencial enorme. Quando o resto do globo se der conta de que aqui nós somos loucos por games, as coisas serão diferentes. Muito. E aí sim, você poderá ver sua revista favorita com 200 páginas e uma matéria de capa que estará sendo comentada em todos os foruns da internet. Afinal, se até a Espanha e a Suécia já deram furos mundiais, por que a gente não pode também, certo? E com o esforço que a imprensa daqui já faz, teremos hands-on exclusivos todo mês. E uma fila de PRs ligando pra gente.
Não revisei o que escrevi agora, então deve estar meio desconexo e talz… Enfim, tente enteder :p